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Eduardo Merino

 
O ser humano tem características fantásticas. Uma delas é a capacidade automática de auto-proteção intelectual.

Na verdade estamos preparados para defendermos as nossas ideias. E aí temos um escudo protetor fortíssimo mais rápido que o próprio pensamento.

É um mecanismo primário que tem como objetivo a nossa proteção intelectual. E na verdade resulta sem darmos conta. Reparem:

– a nossa opinião é sempre a mais correta, salvo se prove o contrário. E mesmo nessas ocasiões é de desconfiar. E a grande vantagem é que mesmo que a discussão tenha levado horas, um simples “tem razão” em baixa voz, resolve o problema.

– a tática ideal numa discussão é falar sem ouvir o argumento do outro interveniente. Aliás para quê? Nos é que sabemos. O curioso é que muitas vezes os argumentos apesar de diferentes, concordam com a mesma situação. Ou a mesma situação promove opiniões completamente distintas. Isto em situações políticas ou em debates clubísticos é constante.

– se a nossa tática não estiver a resultar elevamos a voz. Se não resultar esbracejamos. Se não resultar fazemos tudo ao mesmo tempo. Tudo o que estiver ao nosso alcance para mostrar que temos razão, é válido.

– se a nossa onda for mais a intelectual é sinal que fisicamente podemos não estar aptos para o confronto. Então potenciamos um discurso recheado de termos complexos de preferência que o nosso interlocutor não perceba. Rebaixar o nosso adversário à sua insignificância intelectual é um gosto extra.

– toda a bibliografia que valide as nossas ideias é válida e atual. Toda a bibliografia que vá contra os nossos princípios, é falsa e roça a charlatice. 

O mais espetacular é que existem pessoas com as mesmas ideias e então a coisa vai-se imiscuindo. São então formadas seitas de opinião, religiões e partidos. E se por algum motivo mudarmos de opinião em alguma fase da vida, os argumentos que no início eram contra, passam como por milagre a ser grandes verdades. E o nosso cérebro sempre a proteger-nos e nós a achar tudo normal.

– a ironia e o sarcasmo são óptimos. Conseguimos denegrir a imagem do opositor ao mais baixo que há, sempre com aquela desculpa que estávamos a brincar. É como dar aquela pancadinha nas costas depois de o termos goleado…

– e em extremos o nosso cérebro tem a capacidade de nos fazer esquecer o que não queremos lembrar (amnésia, alzheimer ). Ou termos realidades na nossa mente que realmente não existem (esquizofrenia). Tudo com o sentido primário de auto-defesa.

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