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Eduardo Merino

Introdução

Após assistir a uma conferência sobre a coleção frenológica de Gama Machado na Universidade de Coimbra, rapidamente me surgiram 2 grandes curiosidades:

A primeira foi obviamente debruçar-me sobre um tema que me pareceu tão interessante como a frenologia, que muito sinceramente nem sei como me passou ao lado todos estes anos onde me dediquei a estudar várias temáticas sobre o conhecimento do ser humano. O seu grande criador Gall, criou um sistema ideológico bem estruturado, que teve um grande desenvolvimento na primeira metade do século XVIII.

A segunda curiosidade surgiu ainda durante a conferência. Sou um estudioso e seguidor do neurocientista português António Damásio. A sua visão sobre a interpretação do processo cognitivo revolucionou os últimos anos da ciência. Claramente senti aqui uma linha que une estas duas disciplinas de saberes de princípios tão díspares, mas que me pareceram ser a continuação de uma na outra

Foi então que surgiu a ideia de fazer uma breve revisão sobre as temáticas cronológicas que unem estas duas linhas de conhecimento.

Resumo histórico da frenologia

O sistema frenológico foi criado por Franz Joseph Gall, médico alemão, nascido em 1758, que estudou medicina em Estrasburgo. Iniciou a sua atividade clínica em Viena, onde sempre teve muitas dificuldades na elaboração das suas teorias. Emigrou para París em 1807, onde conheceu o seu grande discípulo e aliado Spurzheim, trabalhando com ele 12 anos (4, 7).

Iniciam então uma série de trabalhos importantes como “ Anatomie el physiologie du système nerveux en géneral et du cerveux en particular”. Esta obra tem 4 volumes e foi publicada entre 1810 e 1890, no mesmo ano em que Gall se naturaliza francês. (11)

Com a ajuda de Spurzheim, a doutrina frenológica foi difundida de forma muito considerável pela Grãn Bretanha, Estados Unidos, e depois por toda a Europa. (2, 3)

No período Vitoriano, a Frenologia frequentemente era vista com seriedade. Muitas personalidades proeminentes tal como o Reverendo Henry Ward Beecher (um colega de faculdade e sócio inicial de Orson Fowler) promoveram a frenologia de forma efusiva, onde galardoavam o seu grau de conhecimento, introspeção psicológica e crescimento pessoal. Milhares de pessoas consultavam um frenologista para receberem conselhos em questões relacionadas ao emprego, relações sentimentais, e até algumas opiniões sobre estilo de vida. No entanto, estes tempos de fama da frenologia estavam a ter os dias contados. Foi proposta e chumbada pela academia de mestres, sendo disciplina excluída da Associação Britânica para a Promoção da Ciência. A popularidade de frenologia foi declinando durante o século XIX, sofrendo grandes críticas da sociedade médica e nas ciências em geral. (5)

Contexto da doutrina

Os anos oitocentos apresentaram-se como grandes eras de transformação na investigação científica, com especial prevalência nos estudos biológicos e humanos (4).

Estamos a falar de uma sociedade burguesa cada vez mais consolidada, onde uma nova medicina estava a surgir (4).

Emergiram então várias áreas no estudo das ciências humanas, onde as fusões com ideologias vindas de outras partes do planeta começaram a fazer os seus frutos. As condições estavam criadas para um novo pensamento surgir em surdina: A avaliação de partes do corpo humano de forma matemática e caracterizativa. Estamos a falar de um modelo completamente novo e audaz. A possibilidade de avaliarmos o crânio dos seres humanos e a partir daí supor determinadas atividades mentais responsáveis pelo comportamento, tanto no aspeto sensório-motor quanto nas sensações intuitivas, emocionais, racionais etc. Tal doutrina, divulgadora da noção de que várias partes cerebrais possuíam distintas funções mentais, comportamentais e fisiológicas, começou a ganhar protagonismo. Essa teoria surgiu com o nome de “Frenologia”(4).

No entanto é essencial avaliarmos todo este processo sob o ponto de vista histórico, recorrendo á literatura e autores da época. Esses pressupostos, avaliavam o impacto que os projetos frenológicos apresentavam na sociedade, política e, especificamente, nas teorias biológicas: O todo desse iluminismo do século XVIII foi uma magistral nota de rodapé sobre a fisiologia dos nervos, uma notável tentativa de secularizar a cognição e a perceção por meio do cérebro e de seus vassalos, os nervos (4,8, 9).

Com efeito, a frenologia emergiu junto com a evolução de um naturalismo fundacional e fez parte de uma num desenvolvimento mais amplo que substituía os dogmas teológicos, pelos argumentos científicos (9).

Temos portanto a coincidência de três fatores foi fundamental para a propagação e receção da frenologia tanto pela classe intelectual, quanto pela classe média e popular (9):

1 – O declínio das tradicionais teorias filosóficas e teológicas da mente;

2 – A necessidade de bases empíricas na justificação de reformas que seriam implementadas em razão das rápidas mudanças da estrutura social que se operacionalizavam;

3 – A variedade de novas oportunidades pessoais promovidas pela rutura com a sociedade tradicional.

Ao contrário dos filósofos metafísicos que analisavam a cognição, dos filósofos “idealistas e românticos”, o trabalho de Gall sobre as faculdades psicológicas na organologia cerebral, refletia a preocupação com a ligação material entre as categorias da experiência vividas e os diversos órgãos do córtex cerebral, onde existiriam módulos hipotéticos determinantes das atitudes de natureza humana. Se, portanto, não havia dúvidas de que os fenômenos da natureza dependiam do organismo em geral, os fenômenos intelectuais dependeriam do cérebro em particular (5).

A doutrina

Frenologia deriva do Grego: φρήν, phrēn,”mente”; e λόγος, logos, “lógica ou estudo”. É uma teoria que reivindica ser capaz de determinar o caráter, características da personalidade, grau de cognição e comportamento pela forma da cabeça, avaliando e interpretando as protuberâncias cranianas (4).

Tal sistema foi justamente o responsável pela catalogação dos primeiros 27 pontos ou órgãos cerebrais, os quais representavam funções específicas. Mais tarde Spurzheim ainda aumentou a complexidade desta temática:

1 instinto de reprodução;

2 amor pelos filhos;

3 amizade;

4 coragem;

5 instinto carnívoro;

6 tendência para o homicídio;

7 astúcia;

8 cobiça;

9 orgulho, arrogância;

10 vaidade, ambição, amor à glória;

11 medo, cautela, precaução;

12 memória para coisas e fatos, educação;

13 senso de direção e temporal;

14 memória e sobre as pessoas;

15 memória para palavras;

16 senso de linguagem e discurso;

17 senso de cores;

18 senso de som e música;

19 senso de números, matemática;

20 sabedoria (juízo);

21 senso de metafísica;

22 sarcasmo, humor;

23 talento poético;

24 bondade, compaixão, moralidade;

25 imitação (paródia);

26 religião;

27 firmeza de propósito, obstinação, constância.

Ele avaliou vários animais, como cães, gatos e macacos. No entanto os órgãos encontrados apenas nos seres humanos, encontram-se na parte anterior-superior do crânio. Eles são a astúcia, senso de metafísica, sabedoria, talento poético, bondade, imitação, sentimento religioso e firmeza. O resultado do bom desenvolvimento dessa parte é a razão, definida como a habilidade de reconhecer leis e princípios gerais (4).

As premissas deste sistema traduziam-se em alguns pontos:

• As atitudes e tendências são inatas no homem e aos animais. Nesse sentido, os instintos naturais explicariam a propensão à reprodução, à autodefesa, à caça, ao afeto, ou seja, às atitudes dirigidas à manutenção da sobrevivência e à perpetuação da espécie. Era como se cada organismo tivesse um mecanismo biológico de sobrevivência.

• Em segundo lugar, o cérebro é o órgão que perceciona toda a informação advinda do meio externo. Esta dualidade entre cérebro e mente dimensionou uma nova noção de matéria à doutrina de Gall. A materialização da mente no cérebro afastou o cunho metafísico tradicionalmente atribuído e, ao mesmo tempo, conferiu a essência necessária às explorações empíricas. No aspeto teológico, favoreceu a dissociação entre mente (ou alma) e Deus, resultando em alguns problemas de Gall com o Vaticano.

• A terceira premissa indica que as faculdades variam e são independentes, demonstrando a ausência de uniformidade. A massa indivisível agora era substituída pelos órgãos ou regiões cerebrais, as quais seriam responsáveis pelas faculdades.

• É justamente aqui que reside a quarta premissa: cada faculdade tem sua própria localização ou “órgão” no cérebro.

• Em quinto lugar, a indicação de que o tamanho de um órgão é proporcional à força da faculdade correspondente. Ou seja, mediante o tamanho da estrutura avaliada, era compreendida a elasticidade cerebral, formatando as regiões de acordo com o maior ou o menor estímulo que recebido.

• Por fim, se o cérebro é composto por órgãos que são moldados pelas faculdades e a forma do crânio depende do cérebro subjacente, então a sua superfície, ou “protuberância”, revela as atitudes psicológicas e as inclinações do indivíduo.

Gall defendia que todos os transtornos físicos externos ao ser humano, de uma forma direta ou indireta iriam promover uma adaptação dos nossos órgãos cerebrais e por consequência alterar a estrutura craniana envolvente. Essa alteração externa era a responsável por alterar formato cranial e criar as protuberâncias características de cada ser humano ou animal. Desta forma, uma maior ou menor atividade de um ponto cerebral estaria evidenciado no crânio de cada pessoa de forma clara e evidente. Desta forma, observando, medindo e palpando o crânio, era possível avaliar o comportamento desse indivíduo, e caracterizar as suas dimensões físicas e emocionais (4, 5).

Gall encontrou uma forma de avaliara a cognição e comportamento fazendo pela primeira vez uma relação entre a informação recebida pelo indivíduo e a perceção que ele próprio tem dessa informação. A matéria é a forma de adaptação biológica do ser vivo a um determinado acontecimento. E como para Gall tudo acontecia devido a uma adaptação primária a uma cognição, é sobre o crânio que a matéria se vai acumular em forma de protuberância. A noção de individualidade também ganha uma nova dimensão podendo desta forma ser efetuado o perfil do indivíduo avaliado (4).

A vertente cranioscópica da frenologia seduzia o público em geral pelo espetáculo que promovia. Gall estudou bustos e retratos na tentativa de traçar esse suposto perfil psicológico. Uma das teorias de Gall baseava-se na avaliação dos olhos, onde através deles avaliaríamos o estado dos lobos frontais. Para reforçar esta teoria, analisou pinturas de Milton, Strabon, Bacon, Galileu e Rabelais. E, depois de estudar o retrato de Cristo, Gall chegou à conclusão de que o conhecimento da existência de Deus está baseado no órgão localizado na base da circunvolução pré-central (7, 8).

De uma forma muito rápida, a fama e o sucesso chegaram à vida de Gall. Ele contagiava todos que passavam ao seu redor, com a sua constante busca de conhecimento e capacidade de didática. Associadas às suas leituras, aulas de anatomia e de fisiologia cerebral no seu consultório. Ele dava palestras públicas e gratuitas. Entretanto viajou muito passando por Viena, Zurique, Bern, Copenhaga, Amsterdão, diversas cidades da Alemanha e por Paris. Tudo isto promoveu uma grande publicidade e divulgação dos seus trabalhos e obras. As suas teorias e de seus discípulos conquistaram plateias, projeção e autoridade notadamente por três décadas. Após as veementes objeções de Pierre Flourens, fisiologista protegido de George Cuvier, e após certos exageros desacreditados pelo status de pseudociência a que foi renegada, a frenologia declinou consideravelmente a partir da década de 1840, atingindo um segundo período de debates e controvérsias em 1870 (11).

Ciência apôs a queda da Frenologia

Os primeiros 25 anos do século XIX testemunharam um crescente interesse pela localização das funções cerebrais. Sem dúvida, a teoria da frenologia de Franz Joseph Gall foi influente em chamar a atenção do establishment científico para esta possibilidade, mas sua teoria frenológica foi ferozmente atacada. A Academia Francesa de Ciências foi pressionada por Napoleão Bonaparte, que aparentemente ficou furioso com Gall (que fazia muito sucesso em Paris), para estabelecer uma comissão científica para estudar o pedido de Gall para entrar na Academia. Sabiamente, Gall havia submetido seu estupendo trabalho e anatomia sobre o cérebro, que era de classe internacional, ao invés do seu trabalho mais polêmico sobre os “orgãos da mente”. A Academia pediu, então, ao principal neurofisiologista da época, Pierre Flourens, que realizasse experiências em animais, de modo a certificar se as afirmações de Gall quanto à frenologia eram verdadeiras. Foi dessa forma negada a sua entrada na Academia, no entanto Flourens interessou-se pelas temáticas e começou uma linha de pesquisa própria nessa área (13).

Em meados de 1825, Flouerens publica os seus primeiros resultados das suas novas pesquisas. Eram métodos novos que consistiam (13):

• A ablação cirúrgica seletiva de partes do cérebro de animais;

• A estimulação farádica ou galvânica (elétrica) do cérebro de animais e seres humanos;

• Estudo do cérebro após a morte;

Desta feita estávamos a entrar numa nova fase de conhecimento, onde a divisão interna do cérebro começou a ser explanada. Ao remover os hemisférios cerebrais, por exemplo, todas as perceções, motricidade voluntária e julgamento eram abolidas. A remoção do cerebelo afetava o equilíbrio dos animais, bem como sua coordenação motora, e a destruição do tronco cerebral, levava à morte (13).

A ciência entrava na avaliação de regiões mais específicas para memória e cognição, o que o levou a acreditar que elas estariam representadas de uma forma difusa por todo o cérebro. Deste modo, Flourens deduziu que diferentes funções realmente podiam ser atribuídas a regiões particulares do cérebro (13). Curioso que o mesmo homem que colocou o nome de Gall na praça pública, foi o que continuou a sua obra.

Posteriormente, por volta de 1870, ou seja, na mesma época que os estudos de Broca e Wernicke, dois fisiologistas alemães, Gustav Fritsch e Eduard Hitzig, aprimoraram o nosso conhecimento sobre a localização cerebral da função, estimulando pequenas regiões com eletricidade, na superfície do cérebro de cães acordados. Eles descobriram que a estimulação de algumas áreas causavam contrações musculares na cabeça e pescoço, enquanto a estimulação de áreas cerebrais distintas causavam contrações das pernas anteriores ou posteriores. Interessante avaliar que já Gall tinha pensado e idealizado fazer este tipo de experiências (4).

Os anos foram passando e o mundo da ciência não parou de estudar o ser humano e o seu cérebro. Foi aí que surgiu um nome: António Damásio.

António Damásio tornou-se com evidência um dos grandes nomes da medicina mundial. Profícuo investigador no campo da neurociência, emergiu como no estudo da abordagem ao processo cognitivo pelo qual o ser humano passa inúmeras vezes. Nesse caminho de quase cinco décadas, foram várias as empreitadas científicas que contaram com a sua tutela. Reverente perante a arte e irreverente no estudo da humanidade, Damásio consolida-se hoje como um dos mais importantes pensantes no cruzamento da psicologia social com a medicina investigativa e ativa.

Quem é António Damásio

António Rosa Damásio nasceu a 25 de fevereiro de 1944 em Lisboa. O seu processo académico desenvolveu-se na Universidade de Lisboa, licenciando-se e doutorando-se em Neurologia. As suas pesquisas foram inicialmente desenvolvidas no Centro de Estudos Egas Moniz, em particular no laboratório de investigação da linguagem. Para estender o alcance das suas pesquisas, emigrou com a sua esposa e também neurocientista Hanna Damásio para os Estados Unidos e firma-se como investigador do Centro de Pesquisas da Afasia de Boston, tendo depois integrado a Universidade de Iowa no Departamento de Neurologia do Comportamento e Neurociência Cognitiva. Para além desta unidade, também fez parte do Centro de Investigação da Doença de Alzheimer.

 

Principais ideias da sua obra

No seu trabalho de investigação, Damásio destaca-se por propor um grupo de hipóteses inovadoras quanto ao funcionamento do cérebro, baseando-se para isso no estudo do comportamento de doentes com lesões cerebrais. Assim, desenvolveu trabalhos de pesquisa onde analisa as consequências de uma lesão nos lobos pré-frontais num indivíduo que teve um acidente em 1848. É neste âmbito que surge o caso de Phineas Gage, operário cujo cérebro tinha sido perfurado por uma barra de metal. Ele sobrevive ao acidente mas perde a capacidade de tomar decisões, tendo também as suas emoções alteradas. Assim, enquanto processos como a memória, a perceção ou a inteligência são estudados e posicionados, ampliam-se os horizontes do estudo de António Damásio, em que devemos ir para além da envolvência pessoal e social do comportamento (15). Relembrando que já Gall defendia que todo o comportamento era alterado pelo processo de cognição e perceção da informação exterior (4).

O que realmente fez Damásio disparar nas suas diferenças para as anteriores teorias, foi na forma como ele defendia que a mente diverge do tradicional dualismo corpo-mente e restringe-se a uma produção do cérebro que se vê dependente e em constante interação com os sentidos e as emoções. Na abordagem efetuada às emoções, Damásio visualiza-as como padrões de ativação nervosa que correspondem a estados do nosso mundo interior. Assim, estas representações cognitivas de estados corporais podem provir de situações comuns que suscitem o medo, a ira, o prazer ou o amor. A estes estados, juntam-se um grupo de manifestações do corpo humano que se complementam à emoção nutrida no instante ou na ocasião. Com isto, verifica-se uma dinâmica sistémica entre o cérebro, o corpo e a mente com o meio externo, advindo daí o desencadeamento das emoções e de todas as suas relações. É esta dinâmica que permite verificar o valor adaptativo das emoções ao meio, este que permite regular a tomada de decisão perante as situações que podem ter em si perturbações internas ou condicionantes externas. É neste sentido que as emoções atuam nas avaliações efetuadas pelo sujeito ao mundo. Para além disto, e para consolidar a sua posição, Damásio identificou um momento em que o estado emocional fica registado e marcado no indivíduo e a esse atribuiu-lhe o nome de marcador somático. Esta assimilação em forma de representação traz em si a informação resultante da perceção externa e a emocional interna. Desta forma, as emoções orientam e influem no comportamento do ser humano, veiculando sinais que servem de comunicação e de expressão consigo e com os outros (14, 15, 16).

Para além dos inúmeros préstimos oferecidos às revistas científicas de especialidade, Damásio desenvolveu três obras singulares nas quais explana as suas ideias inovadoras. “O Erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano” (1994) foi traduzido em 23 idiomas e transmite o núcleo de toda a linha da sua investigação, colocando a tónica na importância da emoção em todo o pensamento racional e na tomada de decisões. A orientação assumida, conduzindo a adaptação do ser humano ao meio com base na propulsão dos sentimentos e das emoções, podendo a ética e as regras sociais derivar de acordo com o grupo social no qual se enquadra (14, 15, 16).

Conclusões

Após o estudo desta linha que orienta as nossas áreas de conhecimento desde os anos oitocentos com Gall, até ao século 21 com cientistas como Damásio, podemos encontrar conteúdos que unem a evolução das várias ideologias.

Gall claramente era um visionário, um estudioso inconformado e um grande conhecedor do comportamento humano. Podemos dizer desta forma que Gall desenvolveu o início de um novo ciclo de estudo do cérebro humano, com a Teoria de Localização Cerebral. Os seus maiores críticos foram os grandes seguidores da sua obra, permitindo uma grande evolução na investigação da área. Ainda hoje Gall é inumerado em todas as áreas de conhecimento cognitivo, incluindo no livro de António Damário “O erro de Decartes” (14).

António Damásio redimensionou toda a aprendizagem da mente, acrescentando as perceções, a adaptação e a individualidade. Podemos dizer que deu profundidade ao tema inicial de Gall, desenvolvendo a Teoria da Unidade Funcional do cérebro.

O próprio Damásio numa das suas mais célebres frases parece fazer essa própria ligação ao passado de Gall dizendo:

“A coisa mais importante de todas é que o corpo é o apoio para a mente. Não seria possível haver uma estrutura mental se não houvesse uma estrutura corporal” (15)

Referências

1 Localization of brain function: The legacy of Franz Joseph Gall (1758-1828) Zola-Morgan S. Annu Rev Neurosci. 1995;18:359–383. [PubMed]

2 Johann Gaspar Spurzheim (1775 – 1832) and his contributions to our understanding of neuroanatomy. Sanders FH, Fisahn C, Iwanaga J, et al. Childs Nerv Syst. 2016:1–3. [PubMed]

3 Spurzheim G. The. London: S. Highley; 1826. The Anatomy of the Brain With a General View of the Nervous System; pp. 1–25.

4 The authority of human nature: The “Schädellehre” of Franz Joseph Gall. Wyhe JV. http://www.jstor.org/stable/4028401. Br J Hist Sci. 2002;35:17–42. [PubMed]

5 Popular science and society: The phrenology movement in early Victorian Britain. Parssinen TM. http://www.jstor.org/stable/3786523. J Soc Hist. 1974;8:1–20. [PubMed]

6 Courting the cerebellum: Early organological and phrenological views of sexuality. Shortland M. http://www.jstor.org/stable/4026306. Br J Hist Sci. 1987;20:173–199. [PubMed]

7 Franz Joseph Gall on greatness in the fine arts: A collaboration of multiple cortical faculties of mind. Eling P, Finger S. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Franz+Joseph+Gall+on+greatness+in+the+fine+arts%3A+A+collaboration+of+multiple+cortical+faculties+of+mind. Cortex. 2015;71:102–115. [PubMed]

8 Franz Joseph Gall and music: The faculty and the bump. Eling P, Finger S, Whitaker H. Prog Brain Res. 2015;216:3–32. [PubMed]

9 Physiognomy and phrenology at the Paris Athenee. Staum M. J Hist Ideas. 1995;56:443–462. [PubMed]

10 Phrenology versus psychoanalysis. Dallenbach KM. Am J Psychol. 1955;68:511–525. [PubMed]

11 Phrenological facts. Davey JG. http://pubmedcentralcanada.ca/ptpicrender.fcgi?aid=650089&blobtype=html&lang=en-ca BMJ. 1861;2:595.

12 The introduction of phrenology to the United States. Riegel RE. Am Hist Rev. 1933;39:73–78.

13 Tizard B. Theories of brain localization from Flourens to Lashley. Med Hist 19593132–145. [PMC free article] [PubMed]

14 António DAMÁSIO, O Erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano. 2a. edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. (Original em inglês: Descartes’ Error: Emotion, reason, and the human brain. New York: Putnam, 1994).

15 António DAMÁSIO, O Mistério da Consciência: Do corpo e das emoções do conhecimento de si. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. (Original em inglês: The feeling of what happens: Body and emotion in the making of consciousness. New York: Harcourt Brace, 1999).

16 António DAMÁSIO, Ao Encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurobiologia do Sentir. Mem Martins: Publicações Europa-América, 2003. (Original em inglês: Looking for Spinoza: Joy, sorrow and the feeling brain. New York: Harcourt Brace, 2003).

17 António DAMÁSIO, E o cérebro criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. (Original em inglês: Self Comes to Mind: Constructing the Conscious Brain. New York: Pantheon, 2010).

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