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Eduardo Merino

O ser humano tem um objetivo primário : sobreviver. E por este fator, um infindável número de estratégias comportamentais e cognitivas são realizados.

Fomos marcados por 2 milhões de anos de evolução enquanto espécie humana.

Desde que saltamos abaixo das árvores e saímos das savanas africanas, muito sangue e genética teve de rolar. Toda esta carga evolutiva caiu com estrondo sobre os nossos antepassados, para chegarmos até aqui, com esta forma e com estas características tão peculiares.

E como base genética, temos uma grande memória de sobrevivência. Como fugir dos perigos, dos massacres ou das tempestades. Está nas nossas células a memória do medo, da desgraça e dos grandes desastres.

É portanto de forma natural que observamos esta Espetacularidade da Tragédia. O trágico, mexe, atrai e contagia.

O “turismo negro” está na moda. São centenas de sites a organizar viagens aos locais que assistiram às grandes calamidades e massacres mundiais. É só escolher entre o Ground Zero em Nova York, ou aos belos passeios de campos de concentração.

Os turistas de Auschwitz na Polônia foi o tema de um filme do diretor ucraniano Sergei Loznitsa chamado “Austerlitz”. “A busca pelo culto da morte e da desgraça é o grande objetivo”: afirma Lennon – professor de turismo em Glasgow Caledonian University London, que ajudou a idealizar o filme.

Outro exemplo está bem vincado na peregrinação que ainda hoje se faz ao túnel onde a Princesa Diana morreu.

Ou ao fenómeno dos incêndios que vivemos em Portugal em 2017.

Para o professor Lennon, estes episódios promovem lembranças reflexivas, que nos elevam a um instinto primário de sobrevivência. Também nos lembra da contemplação da compaixão e do fenómeno de ego ferido. Ou seja, por um lado temos compaixão pelos outros, mas no fundo ficamos aliviados de não ter sido connosco. Aliás a frase “ Estou mal mas há gente bem pior que eu ”, faz parte do dialeto diário social.

Nada como criar um fim do mundo para valorizar o que ainda falta do que temos.

Nada como ter uma catástrofe longe de casa, para vacinar os nossos piores demónios.

Nada como prever a pior doença, para um dia estar preparado para ela.

Enquanto espécie tem dado resultado até agora, para quê mudar?

Bibliografia

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