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Eduardo Merino

Carapaça é a designação dada em zoologia à peça anatómica, relativamente rígida, que cobre total ou parcialmente o corpo de muitos animais.

A sua principal função é uma : PROTEÇÃO.

O ser humano biologicamente não nasceu com carapaça. Pelo menos assim à primeira vista. Mas será mesmo que é assim?

A tentativa de mutarmos o nosso corpo, ou de construirmos capas de proteção sociais, são realmente o quê?

Vamos dar alguns exemplos simples:

– tatuagens e piercings. Uma das grandes modas do momento. É ancestral esta tendência de pintarmos o nosso corpo e colocarmos enfeites penduramos. Mas realmente porque será? Porque é bonito ter um símbolo chinês ou o nome de familiares nas costas? Na verdade são carapaças. Representam sempre uma proteção. A simbologia é a marca de algo tão forte que eu quero eternizar. Não só para mim, mas para que os outros vejam. Nunca é colocada por acaso, nem em qualquer altura.

– A sala profissional forrada a diplomas. É um hábito em portugal independente da profissão. Entrarmos num consultório e as paredes estão forradas com os 50 diplomas dos cursos que o profissional fez. É quase um grito de competência forçado. ” ESTÃO A VER ISTO AQUI? EU ESTUDEI MUITO”. Mas na verdade revela falta de auto-confiança. Quem confia nas suas qualidades, não precisa de as expor ao mundo.

– Moda/vestuário. A carapaça das carapaças. Queres fazer parte e passar despercebido dentro do estilo do momento, tens de estar minimamente na moda. Há 5 anos usar calças pelos tornozelos com sapatilhas brancas sem meias, dava para ser gozado o dia todo. Agora é chique. A forma como obedecemos a estas regras sociais, é incrível. Somos completamente condicionados a usar carapaças impostas pela sociedade. Pelo clã. Como é impensável um trabalhador de um banco, não usar fato e gravata. Ou um médico não usar bata num hospital. E realmente nós nem imaginamos outra coisa. Condicionamento das carapaças sociais.

– Postura. A postura curvada pode significar várias coisas. Mas basicamente é uma carapaça figurativa do ser humano. Ele carrega o mundo nas costas. Normalmente são pessoas subservientes, com falta de auto-estima e com dificuldade em se “erguer ao mundo”. O “mundo” é demasiado pesado.

– Facebook. Apareceu entretanto a rainha das carapaças. Um local onde eu posso ser que quiser. E melhor ainda, sem ninguém me ver. Uau . Perfeito. Posso ser grande e forte, posso falar mal do mundo, posso chorar e pedir misericórdia. Até posso fingir uma vida que não tenho!

One comment on “Carapaça

  1. Boa noite, gostei muito do texto, “Carapaças”. Analogia verdadeira e reflexiva! Abraços, Miriam Carmignan

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