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Eduardo Merino

By Débora Ferreira

Introdução

O Low Press Fitness é um conjunto de exercícios posturais baseado na técnica hipopressiva, que pretende minimizar as pressões e tensões musculares.

É efectuado em várias posições (pé, sentado, quadrúpede, e deitado), que permite melhorar a consciência corporal, modificar as direções das pressões intra-abdominal, melhorar a sinergia e coactivação da musculatura estabilizadora, reeducar a musculatura do pavimento pélvico e reeducar a respiração diafragmatico-pélvico.

Actualmente é um método que está em voga, pelos vários benefícios que apresenta. Tem vindo a ser utilizado não só a nível de reabilitação uroginecológica, bem como a nível desportivo com intuito de prevenção de lesões e/ou aumentar a tonicidade da musculatura estabilizadora (Rial, T. et al, 2013).

Origem

A prática hipopressiva apresenta alguns fundamentos do yoga, nomeadamente através da respiração.

A técnica respiratória do método hipopressivo tem como base a técnica respiratória do yoga denominada Uddiyana Bandha.

O pranayama é a regulação do volume de ar inspiratório e do volume de ar expiratório, acompanhado de uma retenção de ar entre elas. Está intimamente ligado ao sistema nervoso autónomo, visto que esta técnica regula os movimentos dos pulmões controlado pelo coração e o nervo vago (Singh R. M. et al, 2009).

Para Singh (2009) no yoga existem três técnicas respiratórias denominadas Bandhas: Jalandhara bandha (jal em sânscrito significa garganta e dhara significa fluxo, portanto é o fecho da glote ou bloqueio da garganta que controla o fluxo de energia dos nervos e vasos sanguíneos do pescoço); Uddiyana Bandha (uddiyana significa voar para cima ou levantar, ou seja há uma ascensão das vísceras para cima, que consideram um bloqueio abdominal); Mula Bandha (é o bloqueio anal, ou seja há contração do pavimento pélvico, há uma estimulação dos nervos pélvicos, do sistema genital, do sistema endócrino e do sistema excretor. Basicamente a energia é forçada a subir).

Através deste tipo de técnica há uma alteração de posição e movimentos do diafragma, e uma alteração de pressão intratorácica em relação à pressão negativa desenvolvida sob o abdómen. Esta pressão negativa é designada por Madhavas Vacum (ou vácuo abdominal)i.

Nos finais dos anos 70, este método foi muito utilizado para o culturismo ou bodybulding, cujo denominavam a técnica como Vácuo Abdominal. O objectivo desta técnica era mostrar uma cintura estreita de forma a favorecer os músculos grande dorsal e serrátil durante as posições livres. O Arnold Schwarzenegger foi o pioneiro desta técnica no culturismo, pois ele relata na sua enciclopédia de culturismo (1992) como realizava este método hipopressivo, através do vácuo abdominal, de forma a melhorar a sua performance, obtendo uma cintura mais fina. Ele refere, que nessa altura, a maioria dos atletas tinham os abdominais exageradamente volumosos, devido a inflamações intestinais provocadas por diferentes tipos de substâncias anabólicas ou esteroides, e também, pelo tipo de treino físico que os atletas praticavam.

Em 1940, na Europa, a terapia Manual no âmbito da fisioterapia desenvolveu-se abruptamente, surgindo novos conceitos, como o Método de Mezières, também este fundamentado com a postura, posições mantidas durante um determinado período de tempo em isometria e/ou dinẫmicas, e com a respiração. Pouco tempo depois surge técnicas inovadoras de Leopold Busquet com base em cadeias musculares tendo relação directa com o método hipopressivoi.

Os exercícios hipopressivos foram criados em 1980, pelo Doutor Caufriez, especialista na reabilitação uroginecológica, cujo objectivo era o fortalecimento dos músculos do pavimento pélvico e abdominal (Caufriez, 2006), sem produzir um aumento da pressão intra-abdominal que contraia involuntariamente os músculos do pavimento pélvico (Brázalez, 2017)i.

Piti Pisanch, em 2006, no âmbito do fitness e da prevenção de lesões populariza o método hipopressivo, adaptando os exercícios às várias classes desportivas. Com isto, levou a criar o programa Low Press Fitness, com bases em técnicas miofasciais, reeducação abdomino-pélvica, reeducação postural, e a visão contemporânea do exercício com carácter holísticoi.

Conceitos

Os abdominais hipopressivos nasceram como alternativa à reabilitação tradicional do pós-parto para tonificar a musculatura lombopélvica sem pressionar as estruturas e os órgãos internos. Pois Caufriez (2007), mostrou nos seus estudos uma diminuição do índice de rigidez e do tónus da musculatura do pavimento pélvico de 32,7%.

Descreve-se, que o método hipopressivo, é um conjunto de exercícios posturais executados através de diferentes posições isométricas e/ou dinâmicas durante um determinado período de tempo (Sáez M. et. al., 2016). Simultaneamente realiza-se respirações torácicas profundas intercaladas com apneias, sendo que a expiração terá de ser mais prolongada que a inspiração. Esta técnica respiratória, Uddiyanha Badha do yoga, provoca uma abertura da caixa torácica enquanto a parede abdominal diminui provocando o chamado Vácuo Abdominal. Durante esta manobra observou-se actividade mioeléctrica superficial tanto na musculatura do pavimento pélvico como no músculo transverso abdominal, mobilização do músculo elevador do ânus, e um aumento do espessamento do músculo transverso abdominal (Latorre, 2011; Stupp et al., 2011; Omkar, 2012). Portanto é considerada uma técnica para melhorar a estabilidade do core e proprioceptiva para os músculos do pavimento pélvico (Omkar, 2009)

Para Rial T. e Pinsach P. (2012), a terminologia para a variação de pressão intra-abdominal são: Hiperpressivo quando há um maior grau de pressão intra-abdominal, ou seja a diferença de pressão intra-abdominal (relação entre a diferença de pressão e a diferença de volume) é positiva; e Hipopressivo quando há um menor grau de pressão intra-abdominal, ou seja a diferença de pressão intra-abdominal é negativa.

Existe vários benefícios sobre a tonificação da musculatura abdominal e do pavimento pélvico bem como a normalização das tensões musculares (Pinsach e Rial, 2013). Este método é executado em várias posições (em pé, sentado, quadrúpde e posição supina), contudo segue as seguintes normas: alongamento axial, rectificação cervical, eixo corporal ligeiramente para anterior, abdução escapular, apneia expiratória e abertura costal (Pinsach e Rial, 2013). A abertura costal e o avanço da cúpula diafragmática são produzidos pela pressão intra-abdominal negativa que resulta da contração dos músculos acessórios durante a apneia expiratória (Brazalez et al, 2016; Ithamar et al, 2017). A associação da aspiração diafragmática realizada em apneia expiratória parece produzir uma diminuição da pressão intra-abdominal, alteração no ângulo uretrovesical (Latorre, 2011) e aumento da vascularização pélvica (Brazalez, 2017). Existe também uma activação da musculatura do pavimento pélvico e do transverso abdominal (Stupp, 2011).

Este método é utilizado em tratamento conservador em disfunções urogenitais, tais como incontinências urinárias e/ou fecais, prolapsos genitais, no pós-parto, e também em disfunções músculo-esqueléticas como técnica postural no tratamento para dores de costas, com um conjunto de exercícios rítmicos e sequenciados (Bazalez, 2017; Ithamar et al, 2017). Há vários estudos que apontam este método como preventivo no âmbito desportivo para estabilidade dos músculos do core e pélvicos (Lopes, M. et al 2016).

Princípios Técnicos

Segundo Caufriez (2011), Pisach e Rial (2013), Saés et al (2016) este método deve ser realizado com as seguintes normas: alongamento axial (estiramento axial da coluna, levando o centro da nuca em direcção ao tecto, colocando os músculos espinhais profundos e extensores da coluna em tensão); ligeira dorsiflexão da articulação tibiotársica; ligeira flexão dos joelhos; rectificação da cervical (queixo ligeiramente para dentro); descoaptação da articulação escápula umeral (abdução das escápulas e activação do serrátil anterior e posterior); eixo de gravidade anterior (eixo corporal ligeiramente anterior); abertura costal (respiração diafragmática); apneia expiratória (no final da fase expiratória, há um fecho da glote, uma contração do serrátil anterior, intercostais, escalenos e esternocleidomastóideo, que leva a uma abertura costal e elevação da caixa torácica, também provocado pelo relaxamento do diafragma e do recto abdominal, existindo uma espécie de sucção visceral ascendente).

É um conjunto ordenado de exercícios posturais rítmicos, repetitivos e sequenciais que permite a integração e a memorização de mensagens propriocetivas, sensitivas ou sensoriais associadas a uma determinada postura. Esta técnica estimula e cria redes neurais divergentes que provocam uma série de reacções sistémicas a curto prazo. Através do relaxamento do diafragma pela sucção visceral, que permite uma activação e tonicidade sobre os músculos do pavimento pélvico e abdominais.

Para Ribot e Ciscar (2002), esta acção é facilitada a nível proprioceptivo, cinestésico, e sensorial por vias aferentes da sensibilidade pelas vias espinotalamicas que permitem descodificar e reagir à orientação dada, ou seja, através deste mecanismo, há uma integração perceptiva a nível do sistema nervoso central, assegurando a memorização da postura, do ritmo e da posição de cada exercício.

A nível respiratório, ao nível do tronco cerebral, existe vias ascendentes e descendentes que conectam os centros supraespinhais aos músculos abdominais, intercostais e acessórios da respiração, ou seja, quando existe uma apneia expiratória, estamos a provocar uma hipercapnia (aumento do dióxido de carbono no sangue) o que provoca uma elevação do nível de secreção de catecolaminas (ação inibitória dopaminica sobre o centro dorsal bulbar) levando a uma estimulação dos centros supraespinhais que permite modular a tensão postural (Rial et. al, 2011).

Também por esta razão existe uma sinergia entre os músculos do pavimento pélvico e abdominal. O estudo de Ithamar et al, 2017 indica que o nível de activação do músculo oblíquo externo e dos músculos do pavimento pélvico não variavam com as diferentes posições dos exercícios hipopressivos. Este estudo também evidenciou a forte sinergia entre os músculos transverso abdominal e obliquo interno relacionados à actividade dos músculos do pavimento pélvico.

Seás et al (2016) efectuaram um estudo que implementaram um programa de exercícios hipopressivos durante oito semanas para atletas femininas de rubgy, pois em exercícios de alto impacto leva muitas vezes a disfunções dos músculos do pavimento pélvico. Este estudo teve como resultado diminuição do perímetro abdominal, melhor activação do músculo transverso abdominal, melhoria na eficácia de contração e tonicidade dos músculos do pavimento pélvico.

As contra-indicações deste método são: gravidez, hipertensão, doenças neuromusculares, cardíacas e respiratórias (Caufriez et al, 2011)

Conclusão

É um método que engloba posturas e movimentos de forma sequenciada e  ritmada e/ou estática que visam a diminuição da pressão intra-abdominal e a tonificação muscular para a região abdominal sem prejuízo sobre o pavimento pélvico.

O Low Press Fitness é utilizado tanto em meio terapêutico/reabilitação e/ou desportivo. Já existem vários estudos que apontam os benefícios desta técnica, tais como na normalização de disfunções urogenicológicas, no pós-parto e na prevenção e obtenção de melhorias posturais, respiratórias e vasculares, bem como na prevenção de lesões e/ou optimização de performance.

Bibliografia

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Caufriez M., et. al., (2006) .Efectos de un programa de entrenamiento estructurado de Gimnasia Abdominal Hipopresiva sobre la estática vertebral cervical y dorsolumbar. Fisioterapia, 28,(4): 205-16

Caufriez, M., Fernandez, D., Esparza., S; Schulmann,. D. (2007) Estudio del tono de base del tejido músculo-conjuntivo del suelo pélvico en el postparto tras reeducación abdominal clásica. Fisioterapia. 29 (3):133-8.

Caufriez, M., Fernández, J.C., & Brynhildsvoll, N. (2011). Preliminary study on the action of hypopressive gymnastics in the treatment of idiopathic scoliosis. Enferm Clin, 21(6), 354-358.

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Singh R. M., et. al., (2009), Pranayama: The power of breath, Int J Disabil Hum, 8(2), 141-153

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