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Eduardo Merino

Vivemos cada vez mais numa era, onde se descobriu o “Eu”.

Agora todos podemos ser “Eus incríveis”.

O Nós está a passar um mau bocado…

Longe vão os temos do “Nós” sincero, da palavra robusta e do aperto de mão.

Antigamente a traição era um sacrilégio, hoje em dia são coisas que acontecem.

No século XIX a vida era pautada pelo medo do pecado. O medo de ferir o “nós corporativo”. Ir para o Inferno era algo perturbador, que guiava a conduta de vida.

Hoje em dia alguém pensa em ir para o inferno? Se o “Nós” funcionar porreiro, mas a prioridade é funcionar o “Eu.”

Deus era de todos. Era universal e tinha as suas próprias condutas muito bem definidas. Deus veio salvar o mundo.

Agora o Deus é muito bem adaptado ao “Eu”. É escolhido ao sabor do vento e da necessidade.

Se eu tiver sucesso, Deus ajudou.

Se eu fracassar, Deus encontra um novo caminho .

Deus está lá sempre e fácil.

Não preciso de caminhar muito ou me esforçar demasiado.

Longe vão os tempos de sacrifícios em prol da dádiva divina.

Hoje vemos “Eus” que vão à missa ao domingo, que em casa têm Deuses Indus e fazem yoga com o Buda em imagem de fundo.

A religião está longe dos pergaminhos de outros tempos. A religião hoje em dia é adaptada ao que “Eu” preciso.

Este ego fortalecido veio para ficar e tudo gira em torno da sua subsistência.

Se eu for cumprir o estipulado, sou fantástico.

Se não cumprir , não tive culpa. Sentia-me sozinho/a e faltou-me amor.

Se tiver sucesso, sou o competente.

Se tiver insucesso, tive azar.

Se o grupo me fortalecer, estou aqui até à morte.

Se o grupo me exigir sacrifícios, sinto-me oprimido, não sou ouvido e saio para procurar felicidade.

Uma sociedade onde os “Eus” navegam cada vez mais robustos, onde os “Nós ” cada vez são mais temporários.

Onde o carinho se compra e o abraço sincero cada vez é mais raro.

Uma sociedade onde as religiões são metades de cada, onde as crenças mudam pela necessidade e onde os hábitos são cada vez mais voláteis.

Uma emancipação intelectual que nos fez descobrir a força da individualidade, que nos coloca no centro do nosso universo.

Mas numa sociedade cada vez mais complexa, onde se exige um compromisso estável, a perda do nós poderá ser catastrófica.

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