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Eduardo Merino

Se viajarmos à origem das coisas, percebemos que o espírito competitivo não é a última moda da nossa sociedade.

A competição é algo arcaico, primitivo e provavelmente uma das grandes causadores da diversidade de seres vivos pelo nosso planeta.

Competir, está nas nossas células, na nossa história, no nosso DNA.

O instinto animal de sobrevivência, encontra na competição o seu habitat natural, sendo comum a todas as espécies.

Desta forma encontramos significados biológicos comuns: competir para caçar, competir para fugir, competir para procriar, competir para ser reconhecido no clã, competir para ser o mais rápido, competir para ser o mais forte.

E sem precisarmos de fazer a alegoria das cavernas, é possível verificar a linha comum que se manteve no perfil social humano: a competição é ainda o grande fator de seleção.

Ainda hoje o ser humano compete no clã, no trabalho, para promover família e para se valorizar na sociedade.

A competição enquanto desporto encontra os primeiros registos em várias áreas geográficas completamente diferentes. Desde a China, passando pela América e terminando na Grécia antiga, muitos achados datados entre o 4 e o 8 século a. C., associamo-se à ainda inconclusiva reflexão sobre o facto de existirem evoluções comportamentais em povos tão distantes, mais ou menos nas mesmas épocas.

O desporto surgiu então como baluarte de uma sociedade humana em expansão, e caiu que nem uma luva.

Se fizermos uma pesquisa sobre a evolução do Desporto e as grandes transformações sociais, são evidentes as correlações, nos âmbitos políticos e sociais. Entre tantos outros, saliento o verão quente de 1936, nos jogos olímpicos em Berlim. 1 guerra mundial, supremacia branca e o império nazi a cair aos pés de um operário negro Norte americano. O grande Jesse Owens. O mundo parou…

Realmente o desporto assumiu as rédeas de muitas transformações e nada melhor que elevar a figura humana ao mais alto patamar da terra, lado a lado com os seus deuses, com os seus criadores.

Competir e ser forte, elevou o culto do corpo à possibilidade de estar lado a lado com o Divino. O PAI de tudo exigia uma cabeça culta e um corpo forte, como defendia por exemplo Platão.

Este significado do PAI, simbolizava o uno, a perfeição e está na base de uma palavra que faz parte do nosso mundo de alta competição: PERFORMANCE. PER+FORMANCE. Atingir o máximo. Em nome do criador.

A carga emocional que encobre esta palavra, cai em ombros de todos os que a desafiam honrar. E por detrás de a sublime e imaculada imagem de um campeão, está a dureza e o rasgar de corpo do que esse caminho obrigou.

Se analisarmos as biografias dos maiores atletas da história, Michael Jordan, Zlatan Ibrahimovic ou Cristiano Ronaldo, há algo que os une: todos sofreram muito no seu passado. Há relatos muitas vezes constrangedores e extremamente desvalorizantes. Violência, Bullying e pobreza. Esta desvalorização profunda e arrebatadora, foi a ignição para um novo self, um novo propósito. Eles não querem ser uma vez melhor que os outros. Eles querem ser os melhores de todos os tempos. Querem ser eternos. Querem ser lembrados. Eles querem ser Deuses.

A seu caminho nunca será tão doloroso como o seu passado. A dor nunca será menor do que a vontade continua de ser melhor que o mundo. Esse mundo que em determinado momento os fez sentir pequenos. Esse mundo que quando mais precisaram não estava lá. Esse mundo agora que se curve aos seus pés.

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