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Eduardo Merino

A Terapia Manual faz parte do meu dia a dia enquanto Fisioterapeuta.

Ainda hoje é a forma mais completa e entusiasmante de estudar, perceber e sentir o movimento humano.

Como em todas as profissões, onde o handling gera eficácia, dependemos muito do que o treino, a monitorização e o rigor nos proporciona.

Desde muito cedo me questionei sobre os modelos de intervenção e explicação em que a Terapia Manual se assegurava. Não só no contexto de aplicabilidade clínica, mas também enquanto modelo de avaliação clinica.

Sempre a integrei como uma facilitadora do movimento inserida num protocolo de intervenção fisioterapêutico. E a adicionei ao protocolos de avaliação como um todo.

Estávamos em 2011 e recordo-me perfeitamente de uma revisão na Cochrane em pacientes com dor lombar.

O estudo era claro: a Terapia Manual em pacientes com lombalgia não se apresentava benefícios.

Estávamos a entrar numa nova era onde a Fisioterapia baseada em evidência iniciava um processo de muita investigação. Depois dessas, muitos estudos surgiram com resultados semelhantes.

A Terapia Manual realmente teria de repensar a sua forma de questionar todos os mecanismos de ação envolvidos na sua aplicabilidade e abandonar os seus mais antigos contextos( os ossos não saem do seu local, a alteração mecânica não tem de ser propriamente causadora de sintomas, e o corpo não funciona propriamente como um lego).

Num artigo muito interessante Karas reflete exatamente sobre tudo isto.

Apesar de os resultados serem bastante positivos em algumas condições e até serem evidenciados como superiores à farmacologia, muitas novas dúvidas vão surgindo.

As dúvidas sobre o próprio contexto preditivo da Terapia Manual, que são os testes ortopédicos manuais, também foram aumentando.

Os mecanismos subjacentes da terapia manual mostravam-se complexos, multifatoriais e com um longo caminho pela frente na sua compressão.

Surgiram então novas evidências com uma visão sobre os mecanismos neurofisiológicos.

E a forma como avaliávamos o próprio conceito de dor dava uma ajuda.

Estava muito claro a necessidade de abandonarmos os antigos paradigmas do “bloqueio mecânico” para um modelo onde a estimulação mecânica poderá influenciar um conjunto de ações sensoriais mediada pelo sistema nervoso.

Da mesma forma no plano avaliativo, a evidência aconselhava-nos a enquadrar a avaliação de mobilidade, em estratégias analíticas e aplica-las com base narrativa no raciocínio clínico, tendo como ponto de partida o contexto do paciente.

O exame manual passivo das articulações não eram, portanto, de forma alguma um único teste, mas devem fazer parte de um processo de decisão e raciocínio diagnóstico baseado em hipóteses e multivariáveis.

Por outro lado os dados adicionavam uma importância evidente que a Terapia Manual apresentava nos efeitos a curto prazo.

Mas o que estaria para além de toda a estimulação sensorial provocada por estímulos mecânicos?

Um dos fatores que parece estar presente nesta ação, assenta em parâmetros de preferência e motivação.

As pessoas sentem-se bem com o toque.

E parece que a Terapia Manual tem um papel favorável neste campo.

O toque terapêutico parece ser um mecanismo que favorece a própria preferência de primeiro impacto.

A outra grande alteração nesta nova abordagem, tem haver com a necessidade que os Fisioterapeutas têm de perceber que todas as técnicas manuais, fazem parte de um movimento.

Somos simplesmente facilitadores de movimento.

A terapia manual está portanto numa fase de grande restruturação e desenvolvimento.

O futuro oferece novas perspectivas, colocando-a como uma das muitas ferramentas com a possibilidade de promover uma cascata de respostas neurofisiológicas do sistema nervoso periférico e central.

Outro desenvolvimento promissor é o raciocínio clínico explícito e a tomada de decisão no contexto de uma “avaliação da terapia manual”, combinada com outras possibilidades terapêuticas, plano de exercício, registo evolutivo, participação ativa do utente, guiando à sua autonomia.

Sabemos que um dos handicaps desta ferramenta é que exige treino e perícia como já foi falado. O que em muitos casos pode ser um problema, para profissionais com menos treino, e com gestão de expectativas mais frágil.

No entanto quem quiser mesmo vai lá

No global os Fisioterapeutas cada vez estão mais integrados nas novas dinâmicas a que esta temática obriga, e o futuro parece amplo em novas evidências.

Coloco alguns artigos mais recentes sobre a possível eficácia da Terapia Manual.

Vou englobar técnicas de mobilidade articular de uma forma geral ( fisiológica e acessória).

No entanto, algumas novas evidências encontram diferenças na influência sobre algumas estruturas, como o disco intervertebral, entre a mobilização fisiológica e a acessória.

Região cervical

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30757926/

Mobilidade torácica e amplitude do ombro

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/30442357/

Aumento da capacidade respiratória

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/30121128/

Resposta endócrina

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30621368/

Haverá muitos mais artigos em várias áreas de intervenção, no entanto o objectivo deste artigo era mais reflexivo.

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