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Eduardo Merino

Será que o ser humano tem a capacidade de prever acontecimentos futuros?

Foi essa a questão que coloquei em sondagem utilizando as redes sociais.

A sondagem foi esmagadora. No público alvo tratado sem nenhum tipo de seleção (267 pessoas), a grande maioria respondeu que sim.

Confesso que fiquei relativamente surpreso com esta percentagem, apostava num empate… Espera aí. Acabei de fazer uma dedução de uma possibilidade baseada na minha perspectiva. Ou terá sido uma premonição falhada?

Fui revirar artigos nos últimos dias, ouvir mais pessoas e realmente faltava muito mais informação para que a minha opinião adquirisse outra relevância argumentativa.

No entanto vou tentar passar a mensagem de forma simples.

O ser humano supra valoriza-se de uma forma automática e inconsciente. Na verdade isso acontece porque somos em larga maioria extremamente desvalorizados, carentes e carregados por um dos grandes vieses humanos : NEGATIVIDADE.

Se analisarmos bem a coisa, nós somos simplesmente uma espécie de ser vivo, que habita num planeta insignificante no meio de uma galáxia gigante.

Se recuarmos 80.000 anos atrás, verificamos que a nossa espécie teria simplesmente 70.0000 pessoas em todo o mundo. Fomos obrigados a sobreviver num ambiente hostil, onde o nosso cérebro fez a diferença.

E como sofremos tanto em todo este processo evolutivo, esse mesmo cérebro criou inúmeras capacidades de nos possibilitar esta mesma sobrevivência.

A capacidade de guardar memórias, de as resgatar, de as contextualizar ao momento e de as construir de forma rápida e criativa, gerou um vasto número de possibilidades. Basicamente são reações automáticas de sobrevivência, que nos permitem lidar de forma rápida e eficaz em situações que desconhecemos.

No passado sofremos tanto, que uma das nossas melhores armas, é estarmos preparados para o pior.

Vou apresentar algumas situações:

Viés de seleção.

É um condicionamento, natural no ser humano, para lembrar coincidências mais do que não-coincidências. Típico quando estamos a pensar numa música e ao ligarmos o rádio e ela está a tocar. Ou estarmos a pensar em alguém e nesse momento essa pessoa telefona.

Realmente acham que adivinhamos alguma coisa?

Observem a quantidade de vezes que já cantarolaram uma musica no carro e essa musica não estava a dar no rádio. E quantas vezes já pensaram em alguém e essa pessoa não vos ligou?

Criptomnesia.

Literalmente significa “memória oculta”. Consiste basicamente em processos de memória inconscientes. O termo foi criado pelo Doutor Théodore Flournoy, professor de Psicologia da Universidade de Genebra na Suíça. A Criptomnésia aparece quando nos lembramos de algo e acreditamos que se trata de uma informação nova, em vez de a reconhecermos como memória. Este fenómeno acontece muito nos processos de “exploração de vidas passadas”, ou regressões. É a chamada “falsa recordação”. Seriam memórias profundamente adormecidas e subliminares, que não reconhecemos como memórias. Diz-se que quando esses dados emergem, eles tomam uma propriedade autônoma e criativa, formando uma sequência mais ou menos coerente de acontecimentos. Ou seja, recria uma versão nova, com dados de pedaços de memória passada, mas baseado nas emoções do presente. Tipo uma “atualização” do software. Como estamos sempre em mutação emocional, imaginem lá a qualidade de versões nós podemos recrear.

Por isso vemos com frequência pessoas que recorrem a várias terapias ligadas às vidas passadas, ou terapias energéticas, e a cada sítio que vão, surge uma nova história, um novo mistério e uma nova cura. As pessoas adoram este enredo, o único problema é que perdem muito tempo a justificar possíveis causas para os seus comportamentos, ( cometi um crime mas a culpa não foi minha, foi do tetra avó da parte da mãe que era assassino) e não se focam na sua responsabilização no agora e em alterar os seus comportamentos ( como é evidente é muito mais difícil mudar comportamentos do que andar a tentar arranjar desculpas para os erros, com os “pecados” dos ancestrais do passado).

Ilusão estatística

Este fenómeno é esclarecido por Robert Carrol da seguinte forma: “As possibilidades são de um milhão para um, quando uma pessoa tem um sonho de um acidente de avião, e o avião cai mesmo. Simplesmente porque com 6 bilhões de pessoas que temos no mundo, existindo uma média de 250 temas de sonhos por noite, deve haver cerca de 1,5 milhão de pessoas por dia que tenham sonhos que parecem clarividentes. “

É como jogar no jogo das apostas. Podemos chamar isto de premonição estatística ? Fiquemos pela estatística.

Realmente a catastrifização, é algo potente em nós. O humano não resiste a uma boa dose de tragédia.

Por outro lado é muito difícil ocorrerem premonições positivas. Adivinharmos os números da lotaria, ou o código de um cofre. Em todos os fenómenos de terapias regressivas, o engrama causal é sempre algo tendencialmente negativo. Ou foi vítima de violência e tortura, ou histórias familiares difíceis etc.

Façam uma experiência simples. Coloquem no Google a palavra PREMONIÇÃO. Os contextos são todos em conteúdos catastróficos.

Resumindo:

Na minha opinião nós somos seres vivos normais, sem dons especiais de corrida que nos colocam acima das leis do universo.

O único trunfo que temos na manga, é um cérebro que se questiona constantemente e que nos permitiu resolver uma série de problemas durante o processo evolutivo. Esse mesmo cérebro que cria, que desenvolve e interage, é o mesmo que nos enviesa constantemente e condiciona.

Acontecimentos premonitórios, sonhos, sensações de déjà vu e afins, serão provavelmente fenómenos refinados de sobrevivência, enviesando a percepção de realidade, preparando-nos para o pior, permitindo ação de fuga e/ou combate, num curto espaço de tempo.

Se realmente sentes que já previste alguns acontecimentos, provavelmente na tua história vital e famíliar, já aconteceram situações marcantes que condicionaram esse estigma sobrevivente. És claramente um upgrade da tua linhagem, preparado para uma sociedade altamente competitiva.

No entanto faz o exercício ao contrário. Pensa a quantidade de vezes que já pensaste em coisas negativas e elas não aconteceram?

Utiliza essa capacidade para viveres melhor e dar outro rumo à tua história e aos teus descendentes.

Não vás reviver o passado à procura das respostas que não são tuas.

Não tentes prever, VIVE.

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