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Eduardo Merino

EXPERTISE

Muito se fala sobre a importância ou não em ter experiência. No sucesso profissional, nas relações humanas ou até no amor.

Mas realmente que condição humana é esta?

Expertise é uma palavra de origem francesa que significa experiência, especialização, perícia. Consiste no conjunto de habilidades e conhecimentos de uma pessoa, de um sistema ou tecnologia.

Nesta opinião sempre que falaremos sobre “experiência”, será direcionada para a experiência especializada numa determinada tarefa.

Desde já gostaria de colocar de parte todas as vieses cognitivas que nos deturpam a tomada de consciência sobre a nossa valorização.

No global todos achamos que somos mais inteligentes do que somos, que temos mais razão do que temos, que somos melhores do que somos, e tudo o que dependerá das nossas ações terá um toque de Midas. Na verdade tudo o que nós achamos de nós, tende a ser inflamado por acréscimo. Por isso começamos já por aqui.

Ou seja, somos todos menos especialistas do que achamos. Tanto a fazer, como a mandar bitaites.

Se quiserem estudar melhor este assunto, emoção/razão e julgamento, aconselho a o trabalho de Jonhatan Haidt sobre o tema:

Jonathan Haidt: The Contributions of a Moral Psychologist

Continuando, vou dividir por etapas as características que podem interferir com a interpretação da “ Expertise”.

✔️Know How. Capacidade de realizar ações. No entanto já aqui entramos em dicotomias contextuais. Enquanto que em atividades altamente técnicas biomecânicamente, todo o contexto (psiquismo e ação) estará associado ao comportamento treinado, como um artesão por exemplo, há outras áreas de conhecimento que o mais importante será o saber porquê, ou perceber como. Aqui teremos os casos das ciências sociais, filosofia e história.

Entramos num fator essencial em tantas temáticas: CONTEXTO.

Na minha profissão (Fisioterapia), haverá vertentes em que o treino comportamental será um fator decisivo ( tecnicidade manual, exemplificação de exercício) e outras mais de entendimentos do contexto ( planeamento, estratégias sociais e políticas ou gestão).

Na sociedade atual estamos perante uma clara procura de competências técnicas especializadas. Um artesão, carpinteiros, trolhas, escultores etc, têm neste momento muita valorização e procura. Na Fisioterapia é exatamente o mesmo.

✔️Consistência do erro. A tentativa erro está diretamente relacionada com as possibilidades de sucesso. Estudos revelam que quem mais evoluiu, errou muitas vezes antes de o conseguir. Mais que isso, eleva a necessidade do erro no treino da perícia dizendo : Quem não faz nada erra muito menos de quem é especialista.

Ou seja, se o objetivo é não errar, ficar na cadeira a mandar umas opiniões, está ótimo.

✔️ Treino. Definição do conhecimento, adquirido através de uma determinada quantidade de tempo, utilizada na execução de uma tarefa específica. Apesar de existirem estudos que relacionem o tempo de experiênciação e o sucesso, essa evidência é ténue e em muitos casos irrisória. Há muita gente que treina um instrumento musical muito tempo e não dá músico. Como há muita gente que treina muito futebol e não acerta na baliza, etc etc.

Resumindo, a quantidade de experiência não é um fator de seleção de um especialista da experiência. TREINAR POR TREINAR, NÃO CHEGA PARA SE SER REALMENTE UM FORA DE SÉRIE.

✔️Talento. Conhecimento fluido, automático, primitivo e inato. Provavelmente derivará de uma mescla de fatores genéticos e adaptativos. A ciência ainda tem muitas dúvidas como definir e caracterizar o talento, mas uma coisa é certa, existem pessoas com uma condição de aprendizagem e execução prática em determinadas valências, fora da norma. Que os diferencia e treinando essas valências, tornam-se sempre referências das suas áreas.

✔️Ostentação de títulos. Doutoramentos, certificados, diplomas nas paredes, é prática comum da sociedade teoricamente especializada. Até que ponto isso traduz realmente que essa pessoa curricularmente dotada, é na verdade especialista na área. A evidência atira para canto todas estas manifestações de manifestações de skills em papel e ornamentos. Tirando a possível marketização do cenário, não há relação direta entre uma parede cheia de títulos e a qualidade do serviço.

✔️Fiabilidade do conhecimento. Como podemos mensurar a experiência humana? A subjetividade é gigante neste campo. No entanto há sempre fatores a avaliar. Quantificar os atos, satisfação dos clientes, evolução económica e títulos sociais.

Fazendo um resumo da coisa, podemos constatar que a própria definição de “EXPERTISE” é extremamente complexa. No entanto podemos definir variáveis associadas à experiência especializada:

– talento

– treino

– foco

– resiliência

– adaptação

– determinação

Gosto particularmente de uma definição de Gobet. Ele diz que “um especialista em um determinado domínio é “alguém que obtém resultados muito superiores aos obtidos pela maioria da população”. Simples e adaptada a todas as áreas de conhecimento.

Artigos :

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3941081/

https://www.psychologytoday.com/us/blog/inside-expertise/201602/what-is-expertise

https://www.forbes.com/sites/danielnewman/2014/04/22/experts-may-have-influence-but-what-makes-an-expert/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/31624430/

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