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Eduardo Merino

Vamos dissecar à luz da ciência, uma típica carta de amor

Carta:

Meu amor.

Dizia um sábio que para ele amar era uma construção. Que o facto de existires já lhe é suficientemente forte para ser considerado amor.

Mas nem sempre foi fácil discernir toda esta intensidade que me invadia os pensamentos.

Só o facto de te imaginar, é motivo para o meu corpo e a minha cabeça entrarem em ebulição.

O coração bate, os pensamentos multiplicam, as mãos ficam frias e só te vejo a ti. Faço tudo para estares bem.

És tão perfeita.

Sinto que somos almas gémeas.

Os anos foram passando e reparei que afinal somos tão diferentes. Aprendemos os dois com essas diferenças e fomos andando lado a lado. E mesmo assim dizemos a mesma frase :“Eu amo-te”.

Como dizia outro pensador, o amor tem tanto de sábio como de louco.

Amo-te para sempre.

Edu

Tradução Biológica:

Olá sensação fictícia de pertença, de um amontoado de neurofisiologia.

Espinoza dizia que o amor é a alegria acompanhada por uma causa exterior. Que o acréscimo da existência de outrem identificada nas normas e processo de vida, apresentava sempre uma mais-valia.

Mas nem sempre foi fácil perceber toda esta turbulência fisiológica comportamental.

Só o facto da parte direita do meu cérebro preparar a tua presença, era o suficiente para o cortisol disparar em dose dupla e o coração perder as rédeas da serenidade.

A seretonina desce deixando-me perturbado, o ritmo cardíaco dispara, fico com uma visão em túnel que só a ti te vê. A dopamina eleva, o prazer de te ter em meus braços atinge níveis altíssimos e só espero que esta ocitocina não me faça fazer aquelas figuras tristes de rastejar de joelhos, ou recrear caras ridículas num restaurante de novo.

O meu córtex pré-frontal está enviesado de tal maneira que te acho a última bolacha do pacote.

Sinto que por estares na mesma demência temporária que eu, alteramos comportamentos em prol do outro, hipervalorizamos gostos em comum, para que à luz dos nossos olhos, toda esta possibilidade procriativa e proliferação de um amontoado de genes mais robusto, seja exequível.

Os anos foram passando e o efeito elusório da paixão, transformou-se em amor companheiro. Com a necessidade de todo o cérebro participar na ação, de partilha adaptação e principalmente a percepção que ambos sentimos essas sensações neurofisiológicas, catalogadas com estigmas sociais, de formas completamente diferentes.

Como dizia Nietzsche “ Sempre há algo de loucura no amor, mas sempre há algo de razão na loucura”.

Vou fazer tudo para que estas alterações fisiológicas que me proporcionas perdurem nos tempos, em prol dos valores que construímos em família, da estabilidade cognitiva e social dos nossos filhos, e porque na verdade, fazer tudo de novo com outra pessoa apresentava um custo de vida muito elevado, e o que nós precisamos nesta altura é paz e sossego.

Edu

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